On the destruction of the destruction

Rascunhos, ficções e apontamentos sobre A Destruição Da Destruição.

 

Num dos contos do Aleph chamado A busca de Averróis publicado em 1949, Jorge Luis Borges traduziu o título da obra de Averróis, ou Ibn Rushd, Tahāfut al-Tahāfut (séc. XII) por A Destruição da Destruição. Em 1954 é finalmente publicada a primeira versão em inglês do texto de Averróis traduzida por Simon Van Den Bergh cujo título é: The Incoherence of the Incoherence. Na introdução que o próprio Van Den Bergh escreve para esta edição, ele discute os critérios da sua tradução partindo do grande movimento de tradução do pensamento grego para árabe iniciado por Cristãos Sírios e impulsionado pela expansão Islâmica, principalmente entre 750 e 850 d.C.

As traduções e os comentários aos autores gregos escritos por autores de língua árabe, principalmente andaluzes, tiveram uma importância fulcral para os latinos. Ibn Rushd, ou Averróis, foi uma das vias mais sólidas para o mundo cristão medieval europeu ocidental chegar a Aristóteles. Ou seja, para se ler Aristóteles foi necessário ler Averróis e uma das suas principais obras foi o Tahāfut al-Tahāfut que os latinos medievais traduziram para latim como: Destructio Destructionis A Destruição da Destruição. O que Borges fez em 1949 foi manter o sentido (ou o equívoco) da tradução latina. De algum modo, ele continuou a traçar, tendo talvez mesmo fechado, o círculo que esses velhos tradutores haviam iniciado ao repetir a palavra Destruição.

Um círculo fechado pode ser um ciclo, e a imagem de um ciclo é um círculo em movimento. A Destruição da Destruição da Destruição da Destruição, em espiral até ao infinito.

 

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